[ARENA] Elsevier Publishing Boycott

André Rangel a 3kta.net
Sexta-Feira, 10 de Fevereiro de 2012 - 14:54:52 WET


Susana,

O que o 'meu grupo' e eu iremos propor não é do teu conhecimento, nem do meu porque ainda não desenhámos uma proposta. O que leste foi um excerto de um e-mail, que enviei aos restantes 4 membros de um grupo, expressando um ponto de vista sobre um determinado assunto. Desconheces se esses membros discordaram ou subscreveram as minhas palavras.

Óptima, académica e cientificamente válida referência a do Heidegger.

Quanto à dicotomia experimental vs 'experimentante' pode ser mais um caso de 'traduzibilidade' ou 'intraduzibilidade'. No excerto que escrevi e que comentas, estão as palavras 'experiments' e 'experiment' que no contexto do escrito podem ser traduzidas para Português como 'experiências' e  'experimentam'.

Parece-me que as experiências (enquanto ensaios, tentativas, sensações ou mesmo conhecimentos adquiridos) integram tanto o acto experimental como o acto 'experimentante'. Pelo que o ponto de vista expresso no escrito compreende tanto as experiências experimentais como as experimentantes.

Sobre o 'sentido de busca permanente' e o 'acto que não pretende chegar ao fim de uma busca', que referes, não serão eles fins em si mesmos (objectivos ou deliberações)? 

Um beijo,

André




On Feb 10, 2012, at 12:33 PM, susana mendes silva wrote:

> André,
> o que tu e o teu grupo propõem é possam existir (i.e. serem aceites), no meio académico, actos experimentantes e não apenas experimentais.
> 
> O que quero dizer com "experimentante"?
> 
> Em "A Origem da Obra de Arte", Heidegger afirma que toda a arte é na sua essência poesia. A poesia é entendida enquanto "modo do projecto clarificador da verdade, isto é, do Poetar no sentido lato". Precisamente, a poesia e as artes permitem-nos reflectir e meditar sobre a técnica de um modo operativo mas "inútil". Entendamos inútil, no sentido em que não responde a necessidades de uso e fins imediatos. Os artistas, especialmente desde a invenção da fotografia e de outros meios de produção e reprodução, têm vindo a utilizar a técnica num sentido experimental, subversivo, desconstrutor, deslocando a técnica de um sentido puramente instrumental ou útil, reflectindo sobre esta e usando-a de um modo "experimentante", isto é tacteando-a, fugindo a convencionalismos, ou alterando pressuspostos originalmente estabelecidos para usos puramente industriais ou tecnológicos. Assim o acto “experimentante” (a partir do alemão experimentierendes), é o acto que não tem como pretensão chegar alguma vez ao fim de uma busca, (entendido, também, no sentido de busca permanente). 
> 
> Ou seja que se possa ultrapassar a "repeatability, reportability and formula success" e valorizar a "uniqueness and originality".   
> 
> 
>  
> susana mendes silva
> www.susanamendessilva.com
> susana.mendes.silva  gmail.com
> skype: susana_mendes_silva
> 
> 
> 
> 
> 
> 
> 
> 
> 
> On 9 Feb 2012, at 10:11, André Rangel wrote:
> 
> Abrandar, SlowFood e SlowScience parece-me Virilio ;)
> 
> Além da velocidade, e do guito acrescento às questões que bem enumeraste o crivo nivelador e modelador. Sobre a validação (científica), em Dezembro escrevi o seguinte a um grupo de 4 amigos (juntos forjamos um projecto):
> 
> """""""""""""""""""""
> (...)
> It's a fact that scientists and many academics are encouraged to build on another's findings and knowledge to evolve their discipline. Normally their experiments must be repeatable and reportable to be validated. This practices (peer reviewing included) can create a convergent process. I personally think that this practices can be questionable. On the other 'hand', artists and designers don't care so much about the repeatability, reportability and formula success of their experiments because they value more uniqueness and originality. They experiment to innovate!
> (...)
> """""""""""""""""""""
> 
> Alternativas ao guito.... aqui http://www.doaj.org/doaj?func=subject&cpid=1&uiLanguage=en por exemplo podes encontrar vários Jornais de acesso livre e sem custos para quem quer publicar.
> 
> Agora sem qualquer crivo, quase sem guito e sem normas sugiro 'blogoesfera' ou então compra um domínio, eu ofereço-te espaço de alojamento ilimitado de borla para publicares escritos, videos ou audios das tuas comunicações ;)
> 
> Saudações,
> 
> André
> 
> On Feb 8, 2012, at 10:40 PM, Diniz Cayolla Ribeiro wrote:
> 
>> Caro André,
>> A lembrança do trabalho do Santiago Sierra deve ter a ver com o facto de ser freudiano. Acho que vou ter de pensar isto com a analista :)
>> 
>> Em relação ao debate propriamente dito, já todos percebemos que estão aqui a ser discutidas várias questões que vale a pena enumerar.
>> Em primeiro lugar, temos a questão do conhecimento científico, a forma como deve ser veiculado, se deve ser disponibilizado de forma totalmente gratuita ou através de um pequeno pagamento, se é legítimo os preços que as editoras cobram, etc. Este é o tema central do post que o Miguel lançou aqui, e estas são as questões que estão na origem do boicote à Elsevier.
>> 
>> Depois temos a questão do pagamento das publicações e das comunicações, que também está evidentemente relacionada com a mercantilização do conhecimento académico/científico, mas que levanta ainda outro tipo de problemas. São todas as questões que tu levantaste e bem, e que se prendem com o suposto "mérito" científico, intimamente relacionado com a capacidade económica de cada investigador, bem como com o aproveitamento que algumas empresas (com ou, supostamente, sem fins lucrativos) fazem da situação. Estou a pensar nas empresas que se constituíram especificamente para tratar destes assuntos, ou de outro tipo de 'empresas', que se especializaram no mercado da 'cultura', e que estão a tirar partido do sistema para se auto-finaciarem e poderem sobreviver. Não as censuro. O capital Social por si só não chega, e é necessário arranjar fontes de subsistência para pagar aos 'referees'; e todos nós sabemos como eles se fazem pagar caro. Para isso, cobram-se taxas a quem não faz parte do 'sistema', e explora-se os jovens alunos/investigadores, que precisam de fazer currriculum e até têm dinheiro para pagar. Foi especificamente em relação a estes casos que me lembrei do trabalho do Santiago Sierra.
>> 
>> Em terceiro lugar, temos a necessidade urgente de pensar em alternativas, como muito bem lembrou José Bartolo. Em relação a este aspecto, felizmente, e como tu próprio disseste, existem ainda por aí alguns bons exemplos de seminários e congressos que não cobram taxas àqueles que vão lá falar. Mas são cada vez menos, e por isso é que decidi lançar esta questão, porque eu quero continuar a produzir artigos e comunicações, e não me apetece nada ter de pagar para isso. Para além de me parecer errado, não sou rico, e uma parte significativa do dinheiro que ganho serve para comprar livros e outros bens científicos/culturais que me permitem continuar a dar aulas e escrever artigos.
>> 
>> Por último, temos ainda a questão da velocidade disparatada a que isto chegou, em que o mais importante não é o conteúdo do artigo/comunicação, mas sim o número de artigos/comunicações por ano; mesmo que ninguém os leia. A este propósito, partilho aqui uma notícia que um amigo meu me enviou, a propósito de uma manifesto de investigadores que defendem  a necessidade da "slowscience"
>> 
>> Aqui vai:
>> 
>> 08/08/2011 - 08h42
>> 'Slow Science' prega pesquisa científica em ritmo desacelerado
>> Publicidade
>> 
>> *SABINE RIGHETTI*
>> FOLHA DE SÃO PAULO
>>   Um movimento que começou na Alemanha está ganhando, aos poucos, os
>> corredores acadêmicos. A causa é nobre: mais tempo para os cientistas
>> fazerem pesquisa.
>> Quem encabeça a ideia é a organização "Slow  
>> Science"<http://slow-science.org/>,
>> criada por cientistas gabaritados da Alemanha.
>> Você concorda com o "Slow Science"?
>> Vote<http://polls.folha.com.br/poll/1122005/>
>> Aderir ao movimento significa não se render à produção desenfreada de
>> artigos em revistas especializadas, que conta muitos pontos nos sistemas de
>> avaliação de produção científica.
>> Hoje, quem publica em revistas científicas muito lidas e mencionadas por
>> outros cientistas consegue mais recursos para pesquisa.
>> Por isso, os cientistas acabam centrando seu trabalho nos resultados
>> (publicações).
>> "Somos uma guerrilha de neurocientistas que luta para que o modelo midiático
>> de produção científica seja revisto", disse à *Folha* o neurocientista Jonas
>> Obleser, do Instituto Max Planck, um dos criadores do "Slow Science".
>> O grupo chegou a criar um manifesto, no final do ano passado, em que
>> proclama: "Somos cientistas, não blogamos, não tuitamos, temos nosso tempo.
>> A ciência lenta sempre existiu ao longo de séculos. Agora, precisa de
>> proteção."
>> O documento está na porta da geladeira do laboratório do médico brasileiro
>> Rachid Karam, que faz pós-doutorado na Universidade da Califórnia em San
>> Diego.
>> "O manifesto faz sentido. Temos de verificar os dados antes de tirarmos
>> conclusões precipitadas", analisa. "A 'Slow Science' nos daria tempo para
>> analisar uma hipótese em profundidade e tirar conclusões acertadas."
>> De acordo com Obleser, o número de cientistas simpatizantes do movimento
>> está crescendo, "especialmente na América Latina".
>> "Mas não é preciso se filiar formalmente. Basta imprimir o manifesto e
>> montar guarda no seu departamento", diz.
>> O Slow Science é um braço do já conhecido "Slow Food", que defende uma
>> alimentação mais lenta e saudável, tanto no preparo quanto no consumo dos
>> alimentos.
>> Na ciência, a ideia é pregar a pesquisa que não se paute só pelo resultado
>> rápido.
>> 
>> 
>> *CETICISMO*
>> "É improvável que o ritmo de fazer pesquisa seja diminuído por meio de um
>> acordo mundial em que cada cientista assume o compromisso de desacelerar
>> seus trabalhos", diz o especialista em cientometria (medição da
>> produtividade científica) Rogério Meneghini.
>> Ele é coordenador científico do Projeto SciELO, que reúne publicações da
>> América Latina com acesso livre.
>> Para Meneghini, o "Slow Science" é um movimento "anêmico" num contexto em
>> que a rapidez do fluxo de ideias e informações acelera as descobertas.
>> "Parece uma reivindicação de um velho movimento com uma roupagem nova. É
>> certamente a sensação de quem está perdendo as pernas para correr", conclui.
>> 
>> 
>> Abraço e obrigado pela foto;)
>> 
>> DCR
>> 
>> A 08/02/2012, às 18:11, André Rangel escreveu:
>> 
>>> Loool :)
>>> 
>>> Dinis, presunção incerta porque eu desconhecia 'Los Penetrados' ;) Mas agora já conheço, obrigado!!
>>> 
>>> O debate que propuseste não me lembra qualquer tipo de penetração sexual. Observando com alguma atenção as fotografias da obra do Santiago parece-me que estava lá gente que nem erecção tinha para penetrar fosse quem (ou o que) fosse. As legendas mentem mas isso é aceitável porque o Santiago vende arte.
>>> 
>>> Quanto ao patrocínio para a tua actividade docente, se for eficiente já estou a ver o bar e a cantina da FBAUP assim:
>>> 
>>> http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/df/British_Chess_Championship_2009.jpg
>>> 
>>> Sudações,
>>> 
>>> André Rangel
>>> 
>>> On Feb 8, 2012, at 1:36 PM, Diniz Cayolla Ribeiro wrote:
>>> 
>>>> Ao reflectir sobre isto, vem-me sempre à memória o trabalho de Santiago Sierra, realizado em 2008. Intitula-se: Los Penetrados. Presumo que conheces: http://www.santiago-sierra.com/200807_1024.php
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