[ARENA] ainda o cão...

José Bartolo josebartolo esad.pt
Quinta-Feira, 3 de Abril de 2008 - 13:56:47 WEST


Esta indicação do ML é útil. O que nos motivou a ligarmo-nos  ao  
episódio do Habacuc foi, por um lado, indignação pessoal que levou  
alguns de nós a mobilizarmo-nos contra aquilo enquanto cidadãos e,  
por outro lado, esta consciência da interferência artística nas  
esferas da biopolítica.

Isto parece-me ter interesse http://www.newmuseum.org/events/156


On Apr 3, 2008, at 1:21 PM, miguel leal wrote:

> Não há nada como um cão para acordar uma lista!
>
> Passada a fase mais inicial das reacções a quente, parece-me que a  
> discussão tomou entretanto um caminho diferente. Gostei da água  
> deitada na fervura pelo João (e pelo Fernando), mas de qualquer  
> modo interessa-me pouco o facto em si, até porque não temos como  
> aferir dos seus detalhes e do seu contexto no meio de tanto ruído —  
> experimentem googlar o tema, como amostra... Neste momento, os seus  
> efeitos são um motivo bem mais interessante. Também não importa  
> muito tentar distinguir aquilo que é realidade e aquilo que é  
> ficção. Os efeitos de uma e de outra, para a discussão, não são  
> muito diferentes (já falando do cão, fazem toda a diferença).
> Longe das emoções e da desinformação dos blogs, já pouco se discute  
> o cão e o artista. Discute-se sim no campo da bioética e da  
> bioestética (se é que lhe podemos chamar assim).
>
> Curioso com este aumento do tráfego na [ARENA], fui consultar os  
> arquivos da lista ( e a minha memória, já que parte dos arquivos se  
> perdeu) e verifiquei que quase todos os picos de tráfego estiveram  
> ligados a questões que cruzam a bioética, a biopolítica e  a  
> política em sentido mais estrito. O último grande pico de tráfego  
> esteve ligado ao referendo do aborto (na altura alguns subscritores  
> indignaram-se com a contaminação da lista com assuntos "não  
> artísticos", o que gerou novo thread) e, antes disso, lembro-me de  
> uma discussão sobre feminismo, arte e política, por exemplo. E este  
> é um dado mais para a discussão...
>
> Quanto à 'barriga de um arquitecto', tenho que dizer que só faltava  
> culparem o Duchamp de mais esta...:-)
>
>
> um abraço
>
>
> ml
>
>
> On 3Apr2008, at 12:37 PM, João Martins wrote:
>> Mais aproximado da realidade:
>>
>> http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/2007/10/arte-pode- 
>> matar.html
>>
>> João Martins escreveu:
>>> susana mendes silva escreveu:
>>>
>>>> obrigada fernando, mas a história da galeria parece-me bastante
>>>> romantizada...
>>>>
>>> Sobre esta atitude já disse o que tinha a dizer.
>>>
>>>> a construção "conceptual" da obra parece-me também fraca, bem como
>>>> esse simbolismo de substituição:
>>>> - um cão de rua não é um rottweiler. não representa o mesmo: o  
>>>> da rua
>>>> é um "pobre coitado".
>>>> - chamar ao cão faminto o nome do artista morto também é algo  
>>>> que em
>>>> nada torna a obra mais forte (antes pelo contrário).
>>>>
>>> Não me interessaria entrar em detalhe nesta parte da discussão, mas,
>>> porque o rigor não tem que ser alheio à análise e interpretação,
>>> pensemos assim:
>>>
>>> Natividad Garcia não era um artista. Segundo o que li, há uns  
>>> meses, era
>>> uma mulher pobre, da Nicarágua, que foi morta por dois rottweillers
>>> perante indiferença generalizada.
>>> O cão que Habucuc expõe, representa, assim, não uma vingança  
>>> contra os
>>> rottweillers, mas uma representação da situação, em que uma figura
>>> frágil, o cão famélico, representa a fragilidade de Natividad e se
>>> permite ao público da instalação o confronto com a sua própria
>>> indiferença. Trata-se duma mudança de contexto: uma mulher pobre é
>>> substituída por um cão famélico, a rua ou fábrica em que Natividad
>>> morreu, pela sala da galeria.
>>> Podemos achar essa construção mais ou menos interessante. Podemos  
>>> sentir
>>> mais ou menos repulsa pela exploração da imagem do cão famélico,  
>>> um ser
>>> vivo em sofrimento.
>>> Podemos muita coisa.
>>> Mas sabemos muito pouco acerca de tudo isto. Demasiado pouco para  
>>> dizer
>>> tantas coisas, parece-me.
>>> Eu tenho até dificuldade em imaginar como será a vida na  
>>> Nicarágua, pelo
>>> que me é complicado compreender a relevância de determinado tipo de
>>> intervenções.
>>>
>>> Mas concedo que pessoas com maior experiência de vida e  
>>> mundividência se
>>> sintam confortáveis a perorar acerca de tudo isto, como se lhes  
>>> fosse um
>>> fenómeno próximo.
>>>
>>>> talvez algum artista queira fazer uma obra com o habacuc.
>>>> apanhá-lo na rua e depois logo se via que construção "conceptual"
>>>> seria interessante.
>>>> eu proponho, mesmo, que a dita galeria reencenasse algumas  
>>>> partes do
>>>> "chien andalu" no habacuc!
>>>>
>>> É interessante notar que um dos objectivos do artista, presumo,  
>>> tenha
>>> sido precisamente confrontar as pessoas com a distorção crescente  
>>> de uma
>>> escala de valores em que, de repente, possa parecer normal,  
>>> comparar o
>>> valor duma vida humana e do sofrimento humano, como o de Natividad
>>> Garcia, ao valor da vida e do sofrimento dum cão.
>>> Não é uma conversa que me interesse por aí além, mas tenho  
>>> dificuldade
>>> em movimentar-me em contextos em que a atenção que devotamos aos  
>>> animais
>>> de estimação ultrapassa significativamente a atenção que  
>>> devotamos ao
>>> vizinho ou concidadão.
>>>
>>> Mas se houvesse um mínimo de preocupação com a realidade em tudo  
>>> isto já
>>> era muito bom.
>>>
>>> João Martins
>>> http://joaomartins.entropiadesign.org
>>>
>>>
>>
>> -- 
>> João Pedro Martins
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JOSÉ MANUEL BÁRTOLO

ESAD Escola Superior de Artes e Design, Matosinhos

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